Recordar, repetir e elaborar

O esquecimento de impressões, cenas e vivências geralmente ocorre por um “bloqueio” delas. Experiências (muitas vezes traumáticas) vividas sem a capacidade de compreensão e interpretação nos primórdios da infância geralmente não são passíveis de serem lembradas. Ao recalcar essas lembranças, criamos (inconscientemente) camadas de resistências para não acessá-las com facilidade, e quanto maior for a resistência, mais frequente o lembrar será substituído pelo atuar.

Nós acabamos reproduzindo essas vivências de forma inconsciente, repetindo hábitos e comportamentos, muitas vezes autodestrutivos sem nos darmos conta dessas repetições. “A repetição é a transferência do passado esquecido para todos os outros aspectos da vida presente”, Freud escreveu.

O caminho a ser seguido em análise, após retomar essas lembranças e lidar com as resistências, é o de Elaborar: Criar coragem para ocupar sua atenção com as manifestações do seu sintoma, do que traz angústia e sofrimento. É sobre fazer as pazes com o recalcado. Mas, para isso, é preciso ter uma certa tolerância com esse processo, respeito ao seu tempo de elaboração.

Elaborar as resistências, após um longo caminho percorrido na transferência com seu/sua analista, é a parte do trabalho em análise que terá a influência mais transformadora no sujeito, e isso que diferencia o tratamento psicanalítico.

Referência: S. FREUD. Recordar, repetir e elaborar, 1914. In: Fundamentos da Clínica Psicanalítica.


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